terça-feira, 12 de julho de 2016

LEITURA E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Aos 4 e 5 anos, os pequenos estão cercados por textos e têm muitas ideias sobre a língua escrita. Conheça 6 condições didáticas para fazê-los avançar.

Mensagens, palavras, frases, textos. Compreender e ser compreendido por meio da escrita. Eis a magia do ler e escrever. Porém, a melhor época para se iniciar no mundo das letras tem sido um tabu ao longo dos anos. Na escola pública, defende-se que essa prática é séria demais para a Educação Infantil, muito escolar para os pequenos que merecem exercer seu direito de brincar. O inverso acontece nas instituições particulares, que defendem a alfabetização nessa faixa etária. Mas, entre a proibição e a obrigação, existe uma criança que explora o mundo da escrita e pensa ativamente sobre ela. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil orientam a "articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural". A verdade é que, desde muito novas, elas têm acesso à linguagem escrita em seu dia a dia e, aos 4 e 5 anos, estão em plena fase de investigação desse objeto da cultura, inclusive nos suportes digitais. Exploram o teclado do computador, veem o bilhete à mão preso na geladeira, reconhecem os produtos na prateleira do supermercado, os nomes dos programas na televisão e as placas de sinalização. A escrita está por toda parte. Postergar a interação com ela não é uma boa opção. 

No texto O Ensino e a Aprendizagem da Alfabetização: uma Perspectiva Psicológica, de 2002, a pesquisadora argentina Ana Teberosky e a espanhola Isabel Solé esclarecem que, nos últimos 30 anos, o avanço mais significativo na área foi reconhecer que as hipóteses sobre a linguagem escrita de crianças entre 3 e 5 anos fazem parte do processo de alfabetização inicial. Essa conclusão se choca com a visão de que a pré-escola é apenas uma etapa preparatória do Ensino Fundamental, que privilegia treinamentos mecânicos como o desenho das letras, atividades de coordenação visomotora e exercícios de cópia. Essas práticas compartimentam a escrita e ignoram a qualidade da comunicação que se estabelece por meio dela. Dividir a linguagem em etapas de pré- alfabetização, alfabetização e pós-alfabetização é negar que existe um processo contínuo de aprendizagem. Para favorecer o desenvolvimento dos pequenos, vale a pena ensinar a usar as letras em situações reais de leitura e escrita, propiciar momentos de reflexão sobre elas, conversar sobre suas denominações e promover a relação com palavras e partes de palavras conhecidas, como os nomes de amigos e parentes ou os títulos de histórias.

Para explorar os textos na pré-escola
Desse modo, cabe ao educador atuar para democratizar o acesso ao mundo da escrita, que ainda se apresenta com desigualdade para crianças de classes sociais distintas, e ser um interlocutor inteligente dessa aprendizagem, promovendo um ambiente alfabetizador. "O professor deve dar todas as condições para que a sala pense sobre como se escreve, para que se escreve e quem escreve", explica Silvana Augusto, formadora do Instituto Avisalá. As reflexões devem levar em conta as relações entre os elementos da linguagem verbal, pois é nessas relações que eles encontram significado e não em partes isoladas, como as letras. Por isso, é importante que os pequenos tenham acesso a uma diversidade de materiais escritos, ouçam a leitura de diferentes gêneros textuais, tenham oportunidade de escrever segundo suas ideias, interpretem o escrito por meio do contexto e produzam textos ditados ao docente.  

Além de inseri-las nas práticas reais de linguagem, é essencial que se compreenda a forma própria que as crianças têm de construir conhecimento sobre a escrita, conforme já demonstrado em pesquisas desde o início da década de 1980. "Quando escrevem, elas colocam em jogo tudo o que conhecem, expondo suas ideias, compartilhando-as com outros escritores, como colegas e professores, e evoluindo", afirma a especialista argentina Claudia Molinari. Ou seja, somente pensar sobre o contexto não é suficiente, devem ter a chance de escrever. "Quando dizemos: escreva do seu jeito, escreva o melhor que pode, estamos dando à criança a liberdade de se expressar da forma que sabe e de acordo com as suas capacidades no momento", explica Regina Scarpa, coordenadora pedagógica da Fundação Victor Civita no texto O Conhecimento de Pré-escolares sobre a Escrita: Impactos de Propostas Didáticas Diferentes em Regiões Vulneráveis.

De acordo com Regina, que observou quatro turmas de Educação Infantil para sua tese de doutorado, existem situações didáticas que impulsionam essa aprendizagem. O trabalho com nome próprio - a primeira palavra com significado para a criança - fornece um conjunto básico de letras que cada um usará para compor outras palavras. Quando se promove a escrita, a interpretação e a revisão da própria escrita, a criança começa a estabelecer relações com o que quis dizer e o que escreveu. Na produção de texto coletivo, com o educador atuando como escriba, os pequenos pensam no que desejam comunicar e estabelecem diferenças entre o registro oral e o escrito. Além disso, a organização de sala em duplas ou subgrupos com acesso a fontes de informações favorece as trocas produtivas e amplia consideravelmente o repertório dos pequenos.  

Todas essas situações devem ser elaboradas levando em conta o ponto de vista da criança pequena, para quem não há distinção entre aprender e jogar. Você verá que todos vão avançar na compreensão do sistema alfabético, sem a obrigação de chegar a uma escrita convencional. Nas páginas seguintes, conheça exemplos de como garantir que eles desbravem esse universo.

Conheça atividades para os pequenos desenvolverem seus conhecimentos no mundo letrado:

1) Garantir a leitura e a escrita do nome próprio e dos colegas


Na CEI Cachinhos de Ouro, em Joinville, a 176 quilômetros de Florianópolis, Vanessa dos Santos Araújo faz questão que sua turma, de 4 anos, aprenda a escrever o nome próprio e o de alguns colegas. Há vários momentos de reflexão na rotina: "Durante a chamada, procuramos comparar os nomes de cada um". Fichas identificam os materiais pessoais e são usadas para eleger o ajudante do dia. Uma das meninas olhou para o nome sorteado e anunciou: "É a Isabela!". Quando questionada sobre como tinha chegado àquela conclusão, a pequena disse que começava com "I" e terminava com "A", observação comum nessa faixa etária e que pode ser explorada para fazer comparação entre nomes. Assim, a criança passa a refletir sobre quantidade e sequência de letras. Para aprofundar a reflexão, os pequenos escreveram com letras móveis e, muitas vezes, usavam as fichas da chamada como referência.
Por que é importante? O nome próprio exprime a diferença e a identidade de cada um. Quando pensamos em uma aprendizagem da linguagem escrita que enxerga a criança como protagonista, é natural utilizar o que a define em primeira instância. No ambiente escolar, o nome serve para marcar os objetos de uso pessoal. Além disso, costuma ser a primeira forma de escrita estável dotada de significado para os pequenos. A leitura e a escrita do próprio nome e dos colegas é um excelente ponto de partida para refletir sobre o sistema de escrita.

Atenção! Se a ideia é que a criança reflita sobre a escrita do nome, suas letras iniciais e finais, a presença de fotografias e desenhos pode desviar a atenção e servir como identificador, subutilizando a escrita.

2) Dar oportunidade para escrever, interpretar e rever


A professora Maria Aparecida Gonçalves da Cruz, da EM Virgilio Pedreira, em Tapiramutá, a 350 quilômetros de Salvador, propôs situações interessantes para crianças de 5 anos. Após uma pesquisa sobre insetos, elas confeccionaram um jogo da memória. Para começar, foi feita uma votação para eleger quais animais, entre aqueles sugeridos pelos pequenos, estariam no jogo. Foram escolhidos seis, como formiga, borboleta e joaninha. Então, a professora deu uma cartela de cada inseto para que as crianças escrevessem individualmente como quisessem. Um menino escreveu BLT para borboleta. No dia seguinte, foi distribuída a segunda cartela para escrita dos insetos. O mesmo garoto escreveu BLTA. Em seguida, a docente entregou as duas fichas para cada criança e pediu que comparassem e lessem o que escreveram. "Está faltando o ‘A’ nesse", disse ele, que quis modificar a escrita da primeira ficha. Ao pedir que relesse, apontou com o dedinho e leu: "Borboleta. Está bom, professora".
Por que é importante? Ler o que se escreveu, com a oportunidade de alterar o escrito, permite que os pequenos percebam problemas na escrita que só aparecem claramente na revisão. Ao comparar a maneira como escreveram a mesma palavra em dois momentos, recorrem a o que os levou a cada uma das formas de escrita e, às vezes, conseguem uma terceira opção, sem a obrigação de chegar à escrita convencional.

Atenção! Lembre-se de que as crianças constroem a ideia de que para se escrever alguma coisa é preciso de, no mínimo, três letras. Então, a escrita de dissílabos e monossílabos pode ser fonte de conflitos.

3) Promover a produção de textos coletivos


No Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (Cepae), da Universidade Federal de Goiás (UFG), a turma de 4 anos da professora Adriana Ramos estava empolgada com o faz de conta que realizaria: um salão de beleza. As crianças decidiram convidar os colegas da sala ao lado. "A gente pode fazer um convite igual de aniversário", sugeriram. Em seguida, passaram a ditar o conteúdo e, com base nas intervenções da educadora, inseriram informações essenciais e chamarizes para os amigos. Já na EMEI Professora Marianita de Oliveira Pereira Santos, em São José dos Campos, a 94 quilômetros de São Paulo, Zenilda Ângela D’Almeida Teles propôs a leitura de gibis, mas não havia exemplares em sala. "Eu tenho em casa", disseram os pequenos. Então, a professora orientou que eles ditassem um bilhete solicitando aos pais que emprestassem os gibis para ser usados na escola.
Por que é importante? Ao ditar um texto e revê-lo, com base nas intervenções do professor, a turma tem a oportunidade de pensar sobre as diferenças entre o registro oral e o escrito. Também observa durante essa atividade como se dá a organização da linguagem. "O que eu quero dizer?", "Para quem estou escrevendo?", "Como transmitir essa mensagem?". Tais perguntas e o próprio processo de revisão fazem parte do comportamento escritor ao qual as crianças estão se aproximando, antes mesmo de saberem escrever de forma convencional.

Atenção! O objetivo não é que os pequenos conversem sobre o que precisa ser escrito, e sim que produzam e ditem o texto ao professor. Assim, aprendem a diferenciar conversação e comentário de textualização.

4) Realizar propostas diferentes em duplas ou grupos


No Colégio Termomecânica, em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, a professora Margarete Alves Molgora trabalha com uma turma bastante heterogênea, apesar de todos terem 5 anos. Por isso, ela propôs desafios diferenciados durante a atividade de escrita sobre o livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll (1832-1898). Após a leitura do clássico literário, as crianças foram divididas em duplas, de maneira a trabalhar junto com outras que tivessem hipóteses de escrita próximas. Assim, cada uma teve aproveitada toda a sua capacidade e se sentiu estimulada a escrever sobre a mesma temática. Uma parte da sala registrou no caderno o início da história, outro grupo foi desafiado a criar legendas descrevendo as características dos personagens e um terceiro elaborou uma lista das pessoas e dos animais presentes no livro. "Fui intervindo em cada grupinho conforme os questionamentos e as ideias apresentadas pelos pequenos", comenta a docente.
Por que é importante? Serem expostas a desafios adequados a sua hipótese de escrita faz com que as crianças se motivem a investigar. Trabalhando em duplas ou grupos com ideias próximas às delas, terão a oportunidade de defender posições e ouvir as dos companheiros, desenvolvendo novas estratégias para solucionar as questões típicas do uso da linguagem. Desse modo, meninos e meninas progridem na aprendizagem.

Atenção! As crianças já alfabéticas precisam de outros tipos de desafio para que avancem. Por isso, a necessidade de atividades diferenciadas em relação aos que ainda não construíram a base alfabética.

5) Incentivar leituras com contexto verbal ou material


Após ler algumas das historinhas da Turma da Mônica, de Maurício de Sousa, a educadora Zenilda mostrou uma lista de personagens do escritor à turma de 5 anos e anunciou: "Aqui temos alguns dos nomes dos personagens dos gibis que lemos. Vamos identificá-los?". Zenilda notou que os meninos e as meninas se apoiavam no tamanho da palavra e nas letras finais e iniciais. "Esse é a Magali porque termina com ‘I’", disse uma das crianças. Já na turma da professora Patrícia Schulze, da CEI Cachinhos de Ouro, os pequenos faziam um trabalho com receitas quando usaram um catálogo de supermercado. Após selecionar os produtos necessários, a docente mostrou as embalagens e questionou onde aparecia o nome do ingrediente. "Um deles apontou para a marca e disse que estava escrito leite", comenta. Ela perguntou com que letra começa "leite" e ajudou o garoto na exploração do rótulo.
Por que é importante? Informações dadas pelo docente sobre o que está escrito e indagando onde é um exemplo de contexto verbal. Outras vezes, as características do próprio material, como fotos e ilustrações, fornecem um contexto que permite à criança tentar interpretar o que está escrito. Ela utiliza estratégias tais como antecipar o significado com base em conhecimentos prévios e reconhecer índices gráficos, como as partes de palavras conhecidas. Os pequenos também podem ler textos que já sabem de memória fazendo o ajuste do falado para o texto escrito.

Atenção! Deixar que as crianças fiquem sozinhas diante das letras e apresentar desafios de leitura sem contextos facilitadores leva à decifração. Dessa forma, elas soletram e não chegam ao significado do escrito.

6) Remeter a fontes de informação disponíveis na sala de aula



Na turma da professora Zenilda, meninos e meninas têm livre acesso ao alfabeto e a letras móveis para ser consultados e manuseados quando necessário. Já os pequenos orientados por Margarete são assíduos frequentadores da biblioteca e da sala de informática: ambos espaços são utilizados para leitura de textos informativos, em momentos de pesquisa, e para a leitura de outros gêneros. A educadora Vanessa faz questão de que os materiais de trabalho e pessoais das crianças sejam identificados com o nome próprio. A turma da docente Adriana pode folhear tranquilamente os livros e explorá-los da forma como desejar. Na sala de Maria Aparecida, os pequenos emprestam livros da escola, as levam para ler em casa com a ajuda dos pais e no dia seguinte compartilham com os colegas o título do livro, autor, a história e a sua opinião sobre ele. A linguagem escrita está acessível a todo instante.
Por que é importante? Os textos utilizados em sala de aula são referências para a reflexão da criança sobre a linguagem escrita. Vale a pena expor em local bem visível uma lista contendo os nomes de todos da turma, o alfabeto, os cartazes com canções e parlendas conhecidas ou com os títulos das histórias já lidas pela classe, contendo o registro do trabalho realizado. Esses materiais constituem-se em fontes de informação para a turma em diversos momento da rotina e ajudam de forma adequada ao processo contínuo de aprendizagem da leitura e da escrita.

Atenção! O ambiente alfabetizador não se constitui apenas na colocação de cartazes em sala de aula, mas nas práticas de leitura e escrita em torno dos mesmos. Sem intervenções, eles se tornam meros enfeites.

Fonte: http://novaescola.org.br/creche-pre-escola/leitura-escrita-pre-escola-educacao-infantil-alfabetizacao-820073.shtml?page=3
 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

MATEMÁTICA: CÁLCULOS COM BOLICHE, DADOS E ARGOLAS



Objetivo: 

- Construção e ampliação de um repertório de cálculos memorizados.
- Elaboração de procedimentos de cálculo mental.
- Resolução e elaboração de problemas a partir de contextos de jogo.

Conteúdo: 

- Cálculo mental de adições e multiplicações.
- Resolução de problemas.

 Ano: 2º e 3º

Tempo estimado: Em torno de 15 aulas.
Material necessário: Dados, argolas, garrafas pet, cartolina, papel sulfite, etiquetas e fita colante para a confecção dos jogos e tabelas de resultados.
Desenvolvimento
1ª etapa: Introdução
Nessa etapa, o objetivo é verificar quais cálculos os alunos já resolvem com autonomia e quais ainda não. Para isso, organize uma avaliação diagnóstica em que apareçam cálculos como adições cujo resultado seja igual a dez (1+9, 2+8, 3+7, 4+6,5+5), de números de um algarismo (8+3, 6+7 etc.), adições de parcelas iguais (5+5, 4+4, etc.), de números redondos ou terminados em cinco (20+20, 30+60, 25+25, 45+15 etc.) e outros terminados em diferentes unidades (63+15 etc.). Ao orientar a classe para a realização dessa atividade, peça que cada um registre, ao final da avaliação, quais cálculos eles já sabiam o resultado, quais foi possível calcular mentalmente e quais foi preciso fazer uso do cálculo escrito (seja por meio de estratégias pessoais ou do algoritmo). Explique para a turma que é importante realizar a atividade individualmente para que possa conhecer bem o que cada um já sabe sobre cálculos de adição e, assim, propor boas atividades para todos.

Sempre que apresentar um novo jogo, distribua uma cópia da regra para cada um e leia conjuntamente com a turma.

Dados:
Regra do Jogo de Dados - Melhor de 5: Lance dois dados ao mesmo tempo, some o resultado obtido e o anote em uma folha avulsa. Após cinco rodadas, compare o resultado final com o de seu colega. Ganha quem tiver a maior pontuação.
Há uma grande variedade de jogos de dados. Por isso, é preciso escolher qual versão será usada em função das necessidades da turma. Por exemplo, se você tiver alunos que ainda não tenham memorizado os resultados das adições de números de um algarismo (1+1, 2+2, 2+1, 3+5, 6+4, etc.) é interessante propor o jogo de dados, como por exemplo o "Melhor de 5", que pode ser realizado em duplas ou trios.

Boliche:
Regra do Jogo de Boliche: Cada garrafa possui uma pontuação que varia de acordo com a sua cor: amarelas (3 pontos), azuis (4), verdes (5) e vermelhas (6). Jogue a bola e tente derrubar o máximo de garrafas possíveis. Atenção: para fazer o lançamento não é permitido ultrapassar a linha traçada no chão pela professora. Cada aluno pode fazer apenas três lances. Some os pontos das garrafas que conseguiu derrubar. Ganha aquele que fizer mais pontos.
Antes de iniciar o jogo com a sala, organize as garrafas em forma de um triângulo (na base quatro garrafas, em seguida três, depois duas e, na ponta, uma garrafa - aqui seria melhor inserir um desenho) e faça uma linha com giz para indicar o local onde os alunos devem fazer o lançamento.
 
No jogo de boliche, pode-se atribuir uma pontuação única para as garrafas para trabalhar com somas sucessivas de um mesmo número e favorecer a construção de um repertório multiplicativo (por exemplo, se as garrafas valem cinco pontos e, uma criança derruba 7 garrafas, ao longo de suas tentativas, terá que somar 5+5+5+5+5+5+5 ou fazer 7x5, para calcular quantos pontos obteve).

Outra alternativa é atribuir pontos diferentes, anotados nas garrafas com etiquetas, para favorecer a construção de diferentes procedimentos aditivos (por exemplo, se o aluno tiver derrubado cinco garrafas com os seguintes pontos: 13, 17, 25, 12 e 10, pode primeiro somar todas as dezenas 10+10+20+10+10=60 e depois as unidades: 3+7 dá 10, 10+5 dá 15, 15 +2 dá17, então juntar tudo: 60+17 é igual a 77) ou fazer primeiro as somas mais fáceis ("eu sei que 3 + 7 dá 10, então 17+13 é igual a 10+10+10 que dá 30, 25 mais 2 dá 27 e mais 10 dá 37 e se somar o 10 que falta, 47, esse número mais o 30 que eu tinha achado primeiro dá 77).

Argolas:
Regra do Jogo de Argolas: Cada aluno terá três chances para encaixar cada uma das três as argolas nas garrafas. O objetivo é acertar aquelas que têm maior pontuação. Ao final, some quantos pontos fez e o registre em uma folha avulsa. Compare o resultado com o de seus colegas. Ganha quem fizer mais pontos.

Encape cada garrafa pet com uma cor (por exemplo: azul, verde, amarela, vermelha e preta) e defina um ponto para cada cor, por exemplo: azul=15, verde=25, amarela=35, vermelha=45 e preta=55). Assim como no jogo de boliche, é necessário definir um espaço para os lançamentos, então trace uma linha de giz no chão e combine que não se pode ultrapassá-la na hora de fazer os lançamentos.
 
Proponha os jogos algumas vezes, garanta que todas as crianças circulem por todos eles. Certifique-se de que todos compreenderam o funcionamento de cada um deles. Enquanto realizam a atividade, solicite que registrem os resultados em uma folha avulsa para que você possa recolher e analisar o que a turma sabe. Esse é um rico material para elaborar um portifólio e acompanhar os avanços de cada aluno ao longo da sequência.
 
Nas próximas três aulas, organize a sala em grupos de quatro crianças, agrupe aquelas que possuem repertórios de cálculo semelhante e proponha, no início de cada aula, o jogo que possibilitará que cada aluno/grupo amplie seus conhecimentos de cálculo. Escolha o jogo mais adequado às necessidades dos alunos, sempre levando em conta os resultados da avaliação diagnóstica.
 
No caso dos jogos de argolas e boliche é possível variar a pontuação atribuída às garrafas para ajustar o desafio e com isso atender necessidades de todos os alunos. Para as crianças com menor desenvoltura no cálculo, proponha números redondos ou menores (somar 10+20 é muito mais fácil que calcular 18 +15. É interessante, a principio, propor somas de unidades, para construir um repertório de resultados de adição, que funcionarão como apoio para cálculos mais complexos.
 
Além disso, é importante propor somas de números redondos, o que favorece que as crianças se baseiem em resultados conhecidos de somas de um algarismo para calcular a soma de dezenas iniciadas por eles, por exemplo: saber quanto é 4+4 ajuda a saber quanto é 40+40). Para aquelas com um amplo repertório de resultados e procedimentos de cálculo, proponha números maiores, como dezenas e centenas "quebradas", por exemplo. Observe os procedimentos que os alunos utilizam para calcular e anotar os resultados dos jogos. Anote aqueles que lhe parecer mais interessantes para elaborar situações problemas.
 
Enquanto jogam, supervisione os grupos. Sempre que necessário retome as regras dos jogos, explique porque existe a necessidade de registrar os resultados, solicite que determinada criança lhe conte como fez para calcular.  Aproveite este momento para registrar bons procedimentos de cálculo e ideias que as crianças apresentaram a seus colegas de classe. Separe algumas aulas para a socialização de bons procedimentos que a turma encontrou para "calcular rápido os resultados das partidas". Depois da discussão coletiva, anote as conclusões em num cartaz e incentive a todos a consultá-las para jogar. Solicite também que eles copiem no caderno.

2ª etapa: Aproveite suas anotações para resgatar os procedimentos mais interessantes que foram utilizados pelos alunos para propor situações problemas que explorem o contexto dos jogos para as crianças resolverem com o objetivo de tornar comum determinadas estratégias de cálculo mental, que você considera importantes para sua turma e para sistematizar os repertórios de cálculo. Também é possível colocar em discussão procedimentos equivocados.

Um erro comum entre os alunos é calcular a pontuação, usando apenas a quantidade de garrafas, desconsiderando a pontuação de cada uma delas. Caso isso ocorra, levante algumas questões, como por exemplo: É possível saber quem ganhou o jogo sabendo apenas que dois alunos acertam o mesmo número de garrafas? Se um acertou apenas as amarelas, enquanto o outro acertou uma azul e outra vermelha?

Dados
 

a) Jogando 2 vezes os dois dados, qual o maior número que se pode encontrar? E o menor?

b) A professora explicou a sua sala um jogo de dados chamado "Forme 10", em que cada participante joga dois dados, e se não tiver atingido 10, pode jogar mais um dado. Depois que todos tinham jogado e entendido o jogo, desafiou a turma a encontrar todas as formas possíveis de formar 10, com dois ou três dados. Tente, você também, resolver esse desafio.

As situações problemas que abordam o jogo de dados permitem socializar um repertório de resultados de adições de um algarismo e na sua discussão a sala pode combinar um conjunto de resultados que é importante saber de memória. 

Uma possibilidade é propor que a turma preencha uma tabela (como no exemplo abaixo) para indicar quais são os cálculos que eles já sabem fazer de memória. Com o tempo os alunos irão acrescentando colunas com outros exemplos de adição e subtração. 


 Argolas:
 
a) Antonio, Lucas, Artur e Rodrigo estavam jogando argolas juntos. Nesse jogo, as garrafas tinham a seguinte pontuação:





Antonio acertou três argolas na garrafa azul e uma na amarela.
Lucas acertou uma argola na garrafa azul, uma na verde e uma na vermelha.
Artur acertou duas argolas apenas, uma na garrafa vermelha e outra na preta.
Rodrigo acertou três argolas, todas na garrafa amarela.

Quem ganhou o jogo?

b) Com que combinação de argolas na garrafa é possível atingir 100 pontos? Há mais de uma combinação possível?

Os números escolhidos para o jogo das argolas na primeira questão permite socializar e sistematizar procedimentos para somas de números terminados em 5. No segundo item, é comum que aqueles alunos com mais dificuldade podem testar cada um dos valores das argolas até encontrar a soma que resulte em 100. É importante que o professor acompanhe como as duplas estão resolvendo e, no momento da correção, peça para eles socializarem os procedimentos utilizados. Se os alunos já dominam algumas estratégias de cálculo mental, certamente eles farão algumas antecipações, como por exemplo, somar primeiro as unidades e depois as dezenas.

Boliche
 

a) Num jogo de boliche, ficou combinado que cada garrafa valeria 9 pontos. José acertou 9 garrafas e para calcular seus pontos somou 9+9+9+9+9+9+9+9+9. Lucas disse que tinha um jeito muito mais fácil e rápido de calcular. Tente descobrir, você também, um método melhor para fazer a conta de José. Depois troque ideias com seus colegas para definirem um método que seja bom para a turma.

b) Em outro jogo, as garrafas valiam 15 pontos. Quantas garrafas são necessárias acertar para fazer 30 pontos? E 60? E 90?


Atividades como essas permitem sistematizar procedimentos para adição de parcelas iguais e introduz a possibilidade de recorrer à multiplicação para encontrar o resultado. (Por exemplo, no problema a, que pede ao aluno a busca de um procedimento mais rápido que a soma reiterada de 9 para somar 9 vezes o nove, pode trazer soluções como usar a tabuada do 9 para encontrar esse resultado, multiplicando 9x9; ou via cálculo mental, em soluções como "fazer 9x10 é simples, já sabemos que é 90. 9x9 tem um 9 a menos que 9x10, então é só tirar 9 de 90, que dá 81". O professor deve socializar as diferentes resoluções e discutir com os alunos quais são as melhores formas de encontrar aquele resultado; comentando também quais são as estratégias esperadas que os alunos dominem daquele ano. O ideal é que no 4º ano todos possam usar multiplicações em problemas como estes.

3ª etapa: Proponha às crianças que elaborem novos enunciados para trocar entre si, utilizando situações dos jogos que todos conheceram e jogaram. Trata-se de uma ótima oportunidade para você avaliar o quanto aprenderam dos jogos, os cálculos que propõem, e o que explicitam ao elaborar um enunciado de problema. Discutir os enunciados com a turma e propor situações de revisão deles é uma ótima oportunidade para que todos compreendam mais sobre a lógica por trás dos problemas e as operações que cada desafio pede.

Avaliação: Faça uma nova avaliação diagnóstica para verificar o quanto os alunos avançaram em relação ao diagnóstico inicial e o que falta para que eles alcancem os objetivos esperados.

Fonte: http://rede.novaescolaclube.org.br/planos-de-aula/com-boliches-dados-e-argolas-turma-aprende-fazer-calculos

quarta-feira, 6 de julho de 2016

SEQUÊNCIA DIDÁTICA: SISTEMA IMUNOLÓGICO E A DEFESA DO ORGANISMO

Objetivos:
  • Compreender como o sistema imunológico atua na defesa do corpo
  • Relacionar hábitos saudáveis de vida com o bom funcionamento do sistema imunológico
Conteúdo: Sistema imunológico (também chamado de sistema imune ou imunitário).
 
Anos: 4º e 5º
 
Tempo estimado: 8 aulas
 
Desenvolvimento:
 
1ª etapa: Inicie a aula perguntando aos alunos por que ficamos doentes. Pergunte também por que não ficamos doentes o tempo todo. Recorde que vivemos cercados de micro-organismos (bactérias, vírus, fungos etc.) e, portanto, de alguma forma o nosso corpo nos protege destes invasores.
Continue a discussão com o seguinte questionamento: Afinal, como o corpo se defende dos micro-organismos? Estimule a turma dizendo que todos estão prestes a entrar numa batalha no interior do nosso corpo. Diga que para participar, basta leitura e envolvimento nas aulas!

2ª etapa: Entregue aos alunos a cópia do texto "Como o vírus entra no nosso corpo?", que se encontra abaixo. Crianças. Promova a leitura e discussão, ressaltando que a autora destaca o sistema de defesa do corpo humano.
 
TEXTO: "Já parou pra pensar como o vírus entra no nosso corpo? O Inácio e a Yasmin, ambos de 10 anos e estudantes no Centro Pedagógico da UFMG, já! E será que existe maneira de impedir que eles entrem? Quem nos fala mais sobre isso é a Adlane Vilas Boas, professora do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG:

“Os vírus são seres muito pequenos, menores ainda que uma bactéria que a gente só vê ao microscópio. Mas como um vírus entra na gente?

Nosso corpo tem barreiras que tentam impedir sua entrada. A pele é a uma delas, é uma barreira natural que o vírus consegue ultrapassar quando temos uma ferida, por menor que ela seja. O vírus pode entrar, também, através dos olhos, da boca e, principalmente, através do nariz.

Uma vez dentro do nosso corpo, o vírus precisa entrar na célula para que ele possa se multiplicar e sobreviver. Pra isso, ele se encaixa na superfície de uma célula como uma chave se encaixa na fechadura, o que facilita sua entrada.

Existem vários tipos de vírus, sendo que cada um deles têm um tipo preferido de célula. Por isso, os vírus são capazes de causar doenças diferentes como o sarampo, a gripe, a caxumba, a dengue e a Aids.

Mas não precisa entrar em pânico! Nosso corpo possui células que são capazes de destruir o vírus e assim impedir a doença. Essas células fazem parte do nosso sistema imunológico, ou seja, do nosso sistema de defesa. E para que esse sistema de defesa funcione bem, é muito importante cuidar do corpo e da mente.”

Legal, não é mesmo?"
 
Explique que o nosso corpo é bem protegido pela pele e por membranas que revestem os órgãos, formando uma importante barreira contra o ataque dos invasores. Mesmo assim, micro-organismos são capazes de superar essa defesa e entrar no nosso corpo. Neste momento, entra em ação o sistema imunológico, e começa uma batalha entre os invasores e os glóbulos brancos.

Se o conteúdo de sistema circulatório já foi trabalhado, recorde com eles o papel dos linfócitos. Do contrário, reserve um tempo da aula e explique que os glóbulos brancos são células encontradas no sangue e que participam da defesa do corpo. 
 
Para que eles entendam o quão dinâmica é a resposta imunológica e tenham um primeiro contato com novos termos, como o nome dos linfócitos, apresente o vídeo "Fluxo sanguíneo - Invasão do vírus, que encontra-se abaixo. Esclareça que não é preciso se ater aos nomes diferentes que vão aparecer, o importante é tentar compreender o mecanismo de defesa que será apresentado.
 
 

3ª etapa: Verifique qual foi a compreensão do vídeo. Questione: "O que esse vídeo apresentou?"; "Onde essas células são encontradas?". Faça com os alunos a lista dos nomes das células que apareceram no vídeo. Apresente imagens de cada tipo celular e elabore coletivamente uma explicação da função de cada uma delas:
 
Macrófagos: são células especializadas em encontrar e "comer" os invasores (o termo científico é fagocitar, como usado no vídeo), e também ativam os linfócitos T, ou seja, avisam da presença do micro-organismo invasor;
 
Linfócitos T: têm capacidade de ativar outras células, ou seja, avisam outras células da presença do invasor, trabalho que é realizado pelo linfócito T4 (também chamado CD4), e também destroem células invadidas, trabalho realizado pelo linfócito T8 ( também denominado CD8);

Linfócitos B: depois de ativados pelo linfócito T, são capazes de produzir anticorpos, substâncias especiais que neutralizam os invasores.

Destaque que os anticorpos são muitos específicos, ou seja, para cada tipo de invasor é produzido um anticorpo. Como analogia, use o mecanismo da chave de uma porta e sua específica fechadura: se a chave não for da fechadura, ela nunca abrirá a porta. Da mesma forma, para cada tipo de invasor é produzido um anticorpo específico para matá-lo.

Reapresente o vídeo, agora em partes, reforçando com os estudantes as etapas do mecanismo da resposta imunológica. Elabore coletivamente um texto ou um esquema representando o mecanismo de defesa do corpo.

Durante a exibição do vídeo, esclareça para os alunos que se trata de uma animação e, portanto, é uma representação do que ocorre no nosso corpo. Ao mostrar as imagens das células, destaque que são feitas com auxílio de microscópios sofisticados e, depois, coloridas no computador.

4ª etapa: Retome a discussão com a turma e pergunte: "Vocês já compreenderam o mecanismo de defesa do corpo. Então, por que às vezes ficamos doentes?". Eles deverão compreender que em algumas situações o nosso organismo não consegue se defender de forma eficiente dos invasores. Questione o que deve ser feito nesses casos. Discuta a necessidade de avaliação médica quando adoecemos, pois somente os médicos podem prescrever a medicação correta para combater a doença e seus efeitos. Chame atenção sobre o perigo da automedicação.

Pergunte para a turma se eles sabem o que pode ser feito para fortalecer o sistema imunológico. Faça cópias da matéria "Cuide do sistema imunológico para estar bem sempre", retirada do site da revista Saúde, e solicite uma primeira leitura silenciosa. Verifique se eles associaram as informações do texto, principalmente do primeiro parágrafo, com a resposta imunológica estudada anteriormente. Discuta cada um dos hábitos saudáveis que fortalecem o sistema imunológico e verifique quais os estudantes realizam.

5ª etapa: Promova a leitura do texto "Alimente o seu sistema imune", retirado do site da revista Saúde. Reflita sobre como o conhecimento sobre o sistema imunológico possibilitou que eles compreendessem o texto. Utilize o infográfico da matéria para reforçar as etapas da resposta imunológica, bem como a necessidade de uma alimentação adequada.

Como atividade para a casa, peça que os alunos leiam para seus familiares as matérias e verifiquem quais entre os hábitos apresentados estão sendo praticados pela família. Solicite que façam uma pesquisa sobre alimentos ricos em zinco e vitamina C. Reforce que ambas atividades devem ser registradas no caderno.


6ª etapa: Apresente à turma o jogo "Batalha imunológica". Explique que se trata de um jogo de cartas sobre o sistema de defesa do organismo. Com esta brincadeira, os estudantes vão entender ainda mais as etapas da resposta imunológica. Clique aqui para fazer o download das cartas do jogo.
 

Imagens do baralho retiradas do vídeo "Fluxo sanguíneo - invasão do vírus" da Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto (SP)

O baralho é composto por:
  • 1 carta "vírus na corrente sanguínea"
  • 4 cartas "macrófago fagocita invasor"
  • 4 cartas "macrófago ativa o linfócito T (CD4)"
  • 3 cartas "linfócito T (CD4)ativado
  • 3 cartas "linfócito T (CD4) ativa linfócito B (CD8)"
  • 3 cartas "linfócito B (CD8)ativado"
  • 3 cartas "anticorpo x vírus"
  • 3 cartas "Pule o colega!"

Forme grupo de cinco estudantes e distribua as cartas. Leia para a turma as instruções e esclareça eventuais dúvidas:

Instruções:
  • Separe do baralho a carta "vírus na corrente sanguínea". Coloque essa carta no centro da mesa.
  • Um estudante deve embaralhar as cartas e distribuí-las. Cada colega recebe três cartas. As que sobrarem, serão colocadas no monte para serem "compradas".
  • Inicia o jogo o colega que fica à direita de quem distribuiu as cartas.
  • O objetivo é refazer a sequência da resposta imunológica:  "vírus na corrente sanguínea"  - >  "macrófago fagocita invasor" - > "macrofágo ativa o linfócito T (CD4)" - >"linfócito T (CD4)ativado" - >  "linfócito T (CD4) - > linfócito B (CD8)"- > "linfócito B (CD8) ativado" - > "anticorpo x vírus"
  • Caso o jogador não tenha a carta da sequência, ele compra uma no monte. Se não servir, passa a vez para o colega.
  • A carta "pule o colega!" faz com que o próximo jogador perca a vez. Essa carta não pode ser usada para finalizar o jogo.
  • Vence o jogo quem encerrar a sequência com a carta "anticorpoxvírus". Caso as cartas acabem antes, o jogador deverá comprar no monte.
Avaliação: A participação dos alunos nas aulas será um bom indicativo para avaliação. Verifique como foi o envolvimento com o jogo e a realização da atividade de casa. Peça para os alunos elaborarem textos individuais sobre como o nosso corpo se defende da invasão dos micro-organismos. Leia os textos analisando se os estudantes empregaram corretamente os conceitos e se compreenderam o processo de defesa realizado pelo sistema imunológico.

Fonte: http://rede.novaescolaclube.org.br/planos-de-aula/o-sistema-imunologico-e-defesa-do-organismo
 

terça-feira, 5 de julho de 2016

10 COISAS QUE TODO ALUNO COM AUTISMO GOSTARIA QUE A PROFESSORA SOUBESSE


1.Comportamento é comunicação

Todo comportamento acontece por uma razão. Ele conta para você, mesmo quando as minhas palavras não podem fazê-lo, como eu percebo o que está acontecendo ao meu redor. Comportamento negativo interfere no meu processo de aprendizagem. Entretanto, simplesmente interromper esses comportamentos não é suficiente; ensine-me a trocá-los por alternativas adequadas de modo que a aprendizagem real possa fluir. Comece por acreditar nisto: eu verdadeiramente quero aprender a interagir de forma apropriada. Nenhuma criança quer receber uma bronca por comportamento negativo. Esse comportamento geralmente quer dizer que eu estou atrapalhado com sistemas sensoriais desorganizados, não posso comunicar meus desejos ou necessidades ou não entendo o que se espera de mim. Olhe além do meu comportamento para encontrar a fonte da minha resistência. Anote o que aconteceu antes do comportamento: as pessoas envolvidas, hora do dia, ambiente. Um padrão emerge depois de um período de tempo.


2. Nunca presuma nada

Sem apoio de fatos uma suposição é apenas uma suposição. Posso não saber ou não entender as regras. Posso ter ouvido as instruções, mas não ter entendido. Talvez eu soubesse ontem, mas não consigo me lembrar hoje. Pergunte a si mesmo: Você tem certeza que eu realmente sei como fazer o que você está me pedindo? Se de repente eu preciso correr para o banheiro cada vez que preciso fazer uma folha de matemática, talvez eu não saiba como fazer ou tema que meu esforço não seja o suficiente. Fique comigo durante repetições suficientes da tarefa até que eu me sinta competente. Eu posso precisar de mais prática para dominar as tarefas que outras crianças.

Você tem certeza que eu realmente conheço as regras? Eu entendo a razão para a regra (segurança, economia, saúde)? Estou quebrando a regra porque há uma causa? Talvez eu tenha pegado um pedaço do meu lanche antes da hora porque eu estava preocupado em terminar meu projeto de ciências, não tomei o café da manhã e agora estou morto de fome.


3. Procure primeiro por problemas sensoriais
 
Muitos de meus comportamentos de resistência vêm de desconforto sensorial. Um exemplo é luz fluorescente, que foi demonstrado muitas vezes ser um problema para crianças como eu. O som que ela produz é muito perturbador para minha audição supersensível e o piscar da luz pode distorcer minha percepção visual, fazendo com os objetos pareçam estar se movimentando. Uma luz incandescente ou as novas luzes econômicas na minha carteira vão reduzir o piscar ou talvez eu precise sentar mais perto de você; não entendo o que você está dizendo porque há muitos sons “entre nós” – o cortador de grama lá fora, a Maria conversando com a Lurdes, cadeiras arrastadas, o som do apontador. Peça à terapeuta ocupacional da escola para dar algumas idéias sensoriais que sejam boas para todas as crianças, não só para mim.


4. Dê um intervalo para auto regulação antes que eu precise dele

Um canto quieto com carpete, algumas almofadas livros e fones de ouvido me dão um lugar para me afastar quando preciso me reorganizar sem ser distante demais que eu não possa voltar para o fluxo de atividades da classe de forma tranqüila.


5. Diga o que você quer que eu faça de forma positiva ao invés de imperativa

“Você deixou uma bagunça na pia!” é apenas a afirmação de um fato para mim. “Não sou capaz de concluir que o que você realmente quer dizer é: por favor, lave a sua caneca de tinta e ponha as toalhas de papel no lixo”. Não me faça adivinhar ou ter de descobrir o que eu devo fazer.


6. Tenha uma expectativa razoável

Uma reunião de todas as crianças no ginásio de esportes e alguém falando sobre a venda de balas é desconfortável e sem significado para mim. Talvez fosse melhor eu ir ajudar a secretária a grampear o jornalzinho.


7. Ajude-me a fazer a transição entre atividades

Leva um pouco mais de tempo para eu fazer o planejamento motor de ir de uma atividade para outra. Dê-me um aviso de que faltam cinco minutos, depois dois, antes de mudar de atividade – e inclua alguns minutos extras no final para compensar. Um relógio, com o mostrador simples ou um “timer” na minha carteira pode me dar uma dica visual sobre o tempo para a próxima mudança e me ajudar a lidar com o tempo mais independentemente.


8. Não torne pior uma situação ruim

Sei que embora você seja um adulto maduro às vezes você pode tomar decisões ruins no calor do momento. Eu realmente não tenho a intenção de ter uma crise, mostrar raiva ou atrapalhar a classe de qualquer outra forma. Você pode me ajudar a encerrar mais rapidamente não respondendo com um comportamento inflamatório. Conscientize-se de que estes comportamentos prolongam ao invés de resolver a crise:
- Aumentar o volume ou tom de voz. Eu escuto os gritos, mas não as palavras.
- Imitar ou caçoar de mim. Sarcasmo, insultos ou apelidos não me deixam sem graça e não mudam meu comportamento.
- Fazer acusações sem provas.
- Adotar uma medida diferente da dos outros.
- Comparar com um irmão ou outro aluno.
- Lembrar episódios prévios ou não relacionados.
- Colocar-me em uma categoria (“crianças como você são todas iguais)”.


9. Critique gentilmente, seja honesta – você gosta de aceitar crítica construtiva?

A maturidade e auto confiança de ser capaz de fazer isso pode estar muito distante das minhas habilidades atuais. Você não deveria me corrigir nunca? Lógico que sim. Mas faça-o gentilmente, de modo que eu realmente consiga ouvir você.
- Por favor! Nunca, nunca imponha correções ou disciplina quando estou bravo, frustrado, super- estimulado, ansioso, “ausente” ou de qualquer outra forma que me incapacite a interagir com você.
- Lembre-se que vou reagir mais à qualidade de sua voz do que às palavras. Vou ouvir a gritaria e o aborrecimento, mas não vou entender as palavras e consequentemente não conseguirei descobrir o que fiz de errado. Fale em tom baixo e abaixe-se para falar comigo, de modo que esteja falando comigo no mesmo nível.
- Ajude-me a entender o comportamento inadequado de forma que me apóie, me ajude a resolver o problema ao invés de punir ou me dar uma bronca. Ajude-me a descobrir os sentimentos que despertaram o comportamento. Posso dizer que estava bravo mas talvez estivesse com medo, frustrado, triste ou com ciúmes. Tente descobrir mais que a minha primeira resposta.
- Ajuda quando você está modelando comportamento adequado para responder à crítica.


10. Ofereça escolhas reais - e apenas escolhas reais

Não me ofereça uma escolha ou pergunte “você quer...?” a menos que esteja disposto a aceitar não como resposta. “Não” pode ser minha resposta honesta para “Você quer ler em voz alta agora? ou você quer usar a tinta junto com o Pedro?” É difícil confiar em alguém quando as escolhas não são realmente escolhas.

Você aceita com naturalidade o número enorme de escolhas que faz diariamente. Constantemente escolhe uma opção sobre outras sabendo que ter escolhas e ser capaz de escolher lhe dão controle sobre sua vida e futuro. Para mim, escolhas são muito mais limitadas, e é por isso que pode ser difícil ter confiança em mim mesmo. Dar-me escolhas freqüentes me ajuda a me envolver mais ativamente na minha vida diária.
- Sempre que possível, ofereça uma escolha dentro do que tenho de fazer. Ao invés de dizer: “escreva seu nome e data no alto da página” diga: você gostaria de escrever primeiro o nome ou a data? Ou “qual você gostaria de escrever primeiro: letras ou números?”. A seguir diga: “você vê como o Paulo está escrevendo o nome no papel?”
- Dar escolhas me ajuda a aprender comportamento adequado, mas também preciso entender que há horas em que você não pode escolher. Quando isso acontecer, não ficarei tão frustrado se eu entender o por que:
▫ ”não posso deixar você escolher nesta situação porque é perigoso. Você pode se machucar.
▫ não posso dar essa escolha porque atrapalharia o Sérgio (teria um efeito negativo sobre outra criança).
▫ eu lhe dou muitas escolhas mas desta vez tem de ser a escolha do adulto.
A última palavra: ACREDITE.

Henry Ford disse: “quer você acredite que pode ou que não pode, geralmente você está certo”. Acredite que você pode fazer uma diferença para mim. É preciso acomodação e adaptação, mas autismo é um distúrbio não pré fixado. Não há limites superiores inerentes para aquisições. Posso sentir muito mais que posso comunicar e a coisa que mais posso perceber é se você acredita ou não que “eu posso”. Espere mais e você receberá mais. Incentive-me a ser tudo que posso ser, de modo que possa seguir o caminho muito depois de já ter saído de sua classe.

Traduzido de Ellen Notbohm por Heloiza Goodrich, TO

Fonte: Instituto Inclusão Brasil
http://inclusaobrasil.blogspot.com.br/2010/07/dez-coisas-que-todo-aluno-com-autismo.html

segunda-feira, 4 de julho de 2016

COMO ELABORAR ATIVIDADES DE ESCRITA PELO ALUNO NA ALFABETIZAÇÃO

Desde as primeiras aulas, escrever leva a turma a refletir a respeito do sistema alfabético, além de formular, testar e avançar nas próprias hipóteses

No dia a dia da sala de aula, a escrita aparece em listas de presença, calendários, livros, revistas, cartazes...
Fora da escola, não é diferente: está em cada carta, e-mail, placa, receita e bilhete. Nessas entrelinhas, o alfabetizador tem um aliado: a escrita pelo aluno - uma das quatro situações didáticas básicas da alfabetização, segundo pesquisas na área - como um instrumento com razão de existir, e não apenas como sílabas, palavras e frases soltas, que não fazem sentido para as crianças. 

No livro Aprender a Ler e a Escrever, Ana Teberosky e Teresa Colomer falam sobre a importância com esse cuidado: "Apesar de a criança aprender graças à interação com diferentes materiais gráficos, para apropriar-se da linguagem escrita" é necessário que ela participe de situações em que a escrita adquira significação."

Assim, contempla-se o preceito colocado pela psicolinguista argentina Emilia Ferreiro de que qualquer escrita é um conjunto de marcas gráficas intencionais, mas são as práticas culturais de interpretação que as transformam em objetos simbólicos e linguísticos.

Escrita pelo aluno de parlendas e cantigas
 
Neste trabalho, o professor: 

- Foca a atenção do aluno apenas para o ato de escrever, sem a preocupação de criar o texto.
- Oferece espaço de troca de opiniões entre as crianças.

Em 2008, a professora Cecilia Pinheiro, da EM Robert Kennedy, em Petrópolis, a 65 quilômetros do Rio de Janeiro, investiu em parlendas e cantigas para alavancar o processo de alfabetização. Ciente da importância de propor à turma de 1º ano a escrita de textos conhecidos, Cecilia decidiu fazer disso uma atividade permanente. "Assim, as crianças tiveram mais oportunidades de se voltar apenas para o próprio ato de escrever, sem prender o pensamento à criação", conta a professora.

Um desses momentos foi a produção escrita de Atirei o Pau no Gato. Antes de começar, a classe foi ao pátio da escola para cantar e brincar com a letra da cantiga. Já em sala, a professora propôs a produção de um cartaz que ficasse no corredor da escola para que outras turmas também apreciassem os versos da canção. Depois, separou o grupo em duplas para que um complementasse as ideias do outro. "É comum que, entre os silábicos com valor sonoro, existam os que queiram colocar apenas vogais e outros que optem por usar somente consoantes. No começo, ambos ficam relutantes e não querem abrir mão de suas opiniões. Mas, juntos, percebem que faltam elementos nos dois casos e passam a negociar", diz Cecilia.
A escrita começou com lápis e papel, mas, ao ver que uma dupla se deparou com o dilema de escrever "dona" como "oa" ou "dn", a professora ofereceu letras móveis para permitir a reflexão da dupla e fez uma intervenção:

- O "d" sozinho não consegue formar o "do". Que letra está faltando?

- A letra "o", responderam.

- E como se escreve o "na"? Com o "n" sozinho? Não falta alguma coisa aqui?

- Falta o "a", berraram os dois.

Cecilia também conta que a cobrança da ortografia não foi uma preocupação nessa atividade. Isso só ganhou destaque ao longo do ano, conforme as crianças avançavam na alfabetização.

De acordo com Denise Maria Milan Tonello, pedagoga e orientadora do Colégio Miguel de Cervantes, em São Paulo, "não adianta mesmo falar em ‘s’ ou ‘ç’ para crianças que ainda não estão plenamente alfabetizadas. As dúvidas aparecerão naturalmente e renderão boas chances de pesquisa. Por exemplo, ao surgir a questão de o ‘qu’ nao escrever a palavra ‘queijo’, os alunos podem fazer um levantamento de outras em que o ‘q apareça e perceber que ele está sempre acompanhado do ‘u’".

Ainda em relação às dúvidas ortográficas, o Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do Programa Ler e Escrever sugere não só o uso do dicionário como também consultas a uma lista de palavras organizadas coletivamente. A cada nova dúvida solucionada, a turma pode escrever as grafias corretas e, depois, voltar a elas quando necessário.

Escrita pelo aluno de legendas para fotos

Neste trabalho, o professor: 

- Mostra a importância do destinatário na construção do texto.
- Permite às crianças a discussão de critérios de seleção.
 

Um aspecto que deve ser abordado nas primeiras atividades com a linguagem escrita é o destinatário. É preciso que as crianças tenham a chance de se questionar para quem escrevem e o que é preciso garantir no texto para que o leitor compreenda as informações registradas. Ao mesmo tempo, elas se comprometem com a tarefa porque preveem um propósito de leitura claro e ganham possibilidades de discutir critérios de seleção dos textos.

Com sua turma de 5 anos, a professora Sandra Santos da Silva Jacques, do Colégio Miró, em Salvador, optou por legendar um álbum de fotos dirigido à família da garotada. Para isso, solicitou fotografias tiradas nas férias, em um passeio, viagem ou brincadeira. Com as imagens em mãos, cada um relatou o que fazia no momento da foto, onde estava, quem o acompanhava.

Depois a turma iniciou a seleção das fotografias que entrariam no álbum e a escrita de legendas. "Textos curtos e em que apareça o nome do colega favorecem a realização da atividade. As crianças se apropriam da estrutura das legendas e percebem, por exemplo, que não são extensas e não começam com ‘era uma vez’", relata Sandra.

Ela também considera que o trabalho em duplas colabora com a construção dos textos e permite que, juntos, os pequenos levantem ideias do que escrever de acordo com o que veem nas imagens. Além disso, sabendo que o álbum se destina aos pais e parentes, as crianças são motivadas a explicar as informações de forma que possam ser compreendidas de maneira clara por qualquer leitor.

Quando um aluno escreveu a legenda de sua própria foto, a posição do enunciador se mostrou um problema. A professora explicou a ele que o texto não poderia ser "Eu na fazenda" porque seria lido em outro lugar por pessoas que não o conheciam. "Escreva Marcelo no lugar do ‘eu’, assim você informa qual é o seu nome." Outra questão recorrente nas discussões foi a temporalidade. Alguns alunos escreviam nas legendas indicadores como "no mês passado" ou "no fim de semana". A docente levou a turma a refletir sobre isso.

Escrita pelo aluno de lista de personagens conhecidos pela turma

Neste trabalho, o professor: 
 
- Propõe a reflexão sobre o sistema de escrita.
- Desenvolve na turma comportamento leitor e escritor.
 

A professora Adriana de Oliveira Rocha, do Colégio Sidarta, em Cotia, na Grande São Paulo, lançou mão das listagens com crianças de 5 a 6 anos no ano passado. A seleção para a escrita por parte dos alunos incluía elementos como ingredientes de receitas, brinquedos que os pequenos levavam de casa e nomes de fantasias. Uma das listas foi a que compôs uma galeria de personagens conhecidos como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho.

A atividade começou com uma conversa sobre quais histórias faziam parte do repertório da turma e quais eram mais apreciadas. Com base nessa checagem inicial, Adriana montou uma lista de personagens a serem nomeados por escrito pelos pequenos. Então, a cada etapa do trabalho, ela distribuía uma ficha de atividade individual, com uma gravura ou ilustração de um dos personagens previamente listados. Depois de identificarem coletivamente quem era ele e de qual história fazia parte, escreviam seu nome com letras móveis.

Como a reflexão sobre o sistema de escrita é permanente e requer que a produção seja avaliada e revista pelas crianças, as letras móveis funcionam como boas aliadas. "Elas permitem mudar o que foi escrito", diz Denise Tonello. Para evitar que as crianças se percam em problemas como "cadê o L?", ela sugere não misturar uma quantidade grande de letras e, se possível, guardá-las em caixas com divisões, na ordem do abecedário. Após as intervenções da professora e da troca de experiências dentro de grupos de trabalho, os alunos redigiam os nomes individualmente e com lápis e papel.

Com a ajuda de peças móveis ou no papel, é indispensável confirmar o que foi produzido. Ao ler o que escreveram, os alunos realizam o ajuste entre o que se fala e o que se escreve e, desse modo, tornam as falhas mais aparentes. Tal habilidade é tão importante que figura nas expectativas de aprendizagem do Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do programa Ler e Escrever, das secretarias estadual e municipal de Educação de São Paulo. Entre as demais expectativas estão compreender o funcionamento alfabético do sistema de escrita, escrever textos que conhece de memória, reescrever histórias conhecidas e produzir textos de autoria, como bilhetes, cartas e instrucionais.

Segundo Adriana, o projeto dessa galeria ajudou a desenvolver comportamentos leitores e escritores ao longo do ano, como explorar livros da biblioteca de sala, identificar a história com base no seu título e escrever a lista dos personagens. A cada proposta, surgiam novos desafios, que, de acordo com Denise, colaboraram muito na evolução da escrita das crianças.

Fonte: http://novaescola.org.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/ponta-lapis-431543.shtml?page=0